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Empresas brasileiras devem dobrar uso de IA em produção nos próximos dois anos

Levantamento da IDC aponta que 51% das grandes organizações pretendem aplicar inteligência artificial em diferentes áreas até 2028. Agentes autônomos, segurança e capacitação profissional estão entre as principais prioridades.

Empresas brasileiras devem dobrar uso de IA em produção nos próximos dois anos

A inteligência artificial está deixando os projetos experimentais para ocupar funções permanentes dentro das grandes empresas brasileiras. Segundo uma pesquisa conduzida pela IDC e comissionada pela Microsoft, 23% das organizações consultadas já utilizam a tecnologia em produção em diferentes áreas.

Nos próximos dois anos, essa proporção deverá chegar a 51%. Na prática, o número de empresas com aplicações de IA em escala poderá mais que dobrar até 2028.

O estudo ouviu 73 executivos de companhias brasileiras com mais de mil funcionários, entre março e abril de 2026. Foram analisados investimentos, resultados, riscos, maturidade tecnológica e perspectivas relacionadas à adoção da inteligência artificial.

Investimentos passam a ocupar parte maior do orçamento

A expansão da IA também aparece na distribuição dos recursos corporativos. Atualmente, 28% do orçamento de investimentos das empresas pesquisadas está relacionado a iniciativas dessa área.

A expectativa é que essa participação alcance 45% até 2028. Mais da metade dos executivos entrevistados acredita que empresas que não ampliarem o uso da tecnologia poderão perder competitividade em seus mercados.

As organizações também relatam ganhos médios de 24,5% associados aos projetos de IA. Os principais efeitos aparecem na satisfação dos clientes, na eficiência dos processos, na redução de riscos e na velocidade de lançamento de produtos e serviços.

Esses percentuais representam respostas dos executivos consultados e não devem ser interpretados como resultados garantidos para todas as empresas. O impacto depende da área de aplicação, da qualidade dos dados e da forma como cada projeto é implementado.

Agentes de IA ganham espaço

Os agentes de inteligência artificial aparecem como uma das principais frentes de crescimento.

Esses sistemas podem consultar informações, utilizar ferramentas digitais e executar determinadas tarefas com algum grau de autonomia. Atualmente, 56% das empresas pesquisadas já testam ou utilizam agentes em produção.

As aplicações mais comuns estão concentradas no atendimento ao cliente, no marketing e na cibersegurança. Até 2028, a adoção poderá atingir 69% das organizações consultadas.

A tendência é que esses agentes sejam integrados a sistemas internos, documentos, plataformas de comunicação e fluxos de trabalho. Isso permite automatizar atividades repetitivas, mas também aumenta a necessidade de controle sobre permissões e acesso a dados.

Segurança acompanha a expansão

O crescimento dos sistemas automatizados levou 96% das empresas participantes a ampliar seus investimentos em segurança.

As prioridades incluem proteção de dados, segurança em nuvem, automação de defesa e monitoramento das ações realizadas por ferramentas de IA.

O cuidado se torna ainda mais importante quando um agente pode acessar arquivos, enviar mensagens ou interagir com sistemas corporativos. Uma configuração inadequada pode expor informações internas ou permitir ações além das necessárias.

Por isso, a adoção em escala exige regras de governança, registros de atividade, revisão humana e limites claros para cada ferramenta.

Falta de profissionais ainda é uma barreira

A escassez de mão de obra qualificada foi apontada por 30% dos executivos como um dos principais obstáculos para o avanço da tecnologia.

Para reduzir o problema, 86% das empresas estão investindo na capacitação de profissionais de tecnologia da informação. Outras 71% também oferecem treinamento às equipes das áreas de negócios.

A mudança já afeta a estrutura das organizações. Cerca de 63% criaram funções dedicadas à inteligência artificial, enquanto 70% estão revisando responsabilidades profissionais devido aos ganhos de produtividade.

Tecnologia também pode transformar o setor de games

Na indústria de jogos, a adoção corporativa de IA pode acelerar testes de qualidade, atendimento aos jogadores, tradução, análise de dados e criação de protótipos.

Editoras e estúdios também podem empregar agentes para acompanhar falhas, organizar relatórios e analisar o comportamento dos usuários. Fabricantes de hardware podem utilizar a tecnologia para suporte técnico, previsão de demanda e desenvolvimento de novos produtos.

O uso, porém, exige atenção aos direitos autorais, à privacidade e ao impacto sobre profissionais criativos.

A pesquisa mostra que as grandes empresas brasileiras estão entrando em uma nova fase. O foco já não está apenas em testar ferramentas, mas em transformá-las em parte dos processos diários.

O desafio será ampliar o uso sem perder o controle sobre segurança, qualidade e responsabilidade. Como o levantamento foi comissionado pela Microsoft, empresa interessada na expansão desse mercado, os resultados também devem ser considerados dentro desse contexto.

Fontes:

  • IDC e Microsoft Brasil – Pesquisa “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil”.
  • Microsoft Source LATAM – Divulgação completa dos dados, metodologia e projeções do estudo.
  • CNN Brasil – Cobertura do avanço da IA entre grandes empresas brasileiras.
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