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CEO da Epic acusa Apple de pressionar governo Trump contra o Brasil

Tim Sweeney afirma que a Apple tenta usar influência política nos Estados Unidos para enfraquecer decisões brasileiras sobre lojas alternativas e pagamentos no iPhone. A fabricante nega as acusações.

CEO da Epic acusa Apple de pressionar governo Trump contra o Brasil

Tim Sweeney, CEO e fundador da Epic Games, acusou a Apple de usar lobistas em Washington para pressionar o governo de Donald Trump contra medidas adotadas pelo Brasil no mercado de aplicativos. A declaração foi publicada pela Folha de S.Paulo e está relacionada às novas regras que obrigaram a fabricante do iPhone a abrir parte de seu ecossistema no país. busca.folha.uol.com.br

Segundo Sweeney, a Apple estaria tentando transformar disputas regulatórias e comerciais em uma questão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O executivo não apresentou, na parte pública da reportagem, documentos que comprovem diretamente a acusação.

A Apple contestou as declarações. A empresa afirmou que as alegações são falsas e que trabalha com governos e órgãos reguladores para proteger a segurança, a privacidade e a integridade de seu ambiente digital.

O que mudou no iPhone no Brasil

A disputa ganhou força depois de um acordo entre a Apple e o Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Pelas novas condições, desenvolvedores podem distribuir aplicativos para iPhone por lojas alternativas à App Store e utilizar sistemas externos para processar pagamentos de produtos e serviços digitais.

As mudanças começaram a ser implementadas no iOS 26.5. A Apple também passou a permitir links para pagamentos externos, embora continue cobrando comissões em diferentes situações. 

O acordo foi assinado após uma investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas no ecossistema iOS. O processo analisou restrições à distribuição de aplicativos e a obrigação de utilizar o sistema de pagamentos da Apple em transações realizadas dentro dos programas. O Cade estabeleceu compromissos para ampliar a concorrência, sob risco de multa de até R$ 150 milhões. 

Epic critica taxas e limitações

Apesar da abertura, a Epic Games considera que as regras ainda dificultam a concorrência.

A empresa e a Coalition for App Fairness criticaram as comissões mantidas pela Apple em compras externas e em transações processadas por terceiros. Para essas organizações, as taxas podem reduzir o interesse dos desenvolvedores em utilizar meios alternativos. 

A Apple afirma que precisa manter processos de verificação, autorização e segurança porque lojas externas podem ampliar riscos de golpes, malware e violações de privacidade.

Entre as proteções anunciadas estão a verificação técnica dos aplicativos e a exigência de autorização para marketplaces alternativos. A empresa diz que as medidas também buscam proteger crianças contra conteúdos inadequados e fraudes. 

Disputa começou com Fortnite

O conflito entre Epic e Apple começou em 2020, quando a desenvolvedora adicionou ao Fortnite um sistema próprio de pagamento que contornava a comissão da App Store.

A Apple removeu o jogo de sua loja, e a Epic iniciou uma longa disputa judicial. O Fortnite ficou quase cinco anos fora da App Store nos Estados Unidos antes de retornar em 2025, após decisões judiciais que limitaram algumas práticas da fabricante. 

A Epic também passou a pressionar reguladores em outras regiões. A empresa defende que usuários tenham liberdade para instalar lojas concorrentes e que desenvolvedores possam oferecer sistemas próprios de pagamento.

No Brasil, a disputa ganhou importância porque as mudanças podem afetar diretamente jogos móveis, assinaturas e compras dentro de aplicativos.

Impacto para jogadores e desenvolvedores

Para os jogadores, a abertura pode criar novas formas de baixar jogos e comprar moedas, itens, passes e assinaturas.

Desenvolvedores também poderão utilizar sistemas próprios de pagamento, o que pode reduzir custos. Isso não significa, porém, que os preços cairão automaticamente, já que cada empresa decidirá como aplicar eventuais economias.

A presença de lojas alternativas também poderá facilitar o retorno da Epic Games Store e de títulos como Fortnite aos dispositivos da Apple no Brasil.

Ao mesmo tempo, usuários precisarão prestar mais atenção à origem dos aplicativos, às políticas de reembolso e à segurança das lojas utilizadas.

A disputa deve continuar. A Epic considera que as mudanças ainda preservam parte do controle da Apple, enquanto a fabricante sustenta que suas exigências são necessárias para manter a segurança do iPhone.

Fontes:

  • Folha de S.Paulo – Reportagem sobre as acusações de Tim Sweeney contra a Apple.
  • Apple Newsroom – Comunicado oficial sobre as mudanças do iOS no Brasil.
  • Apple Developer – Regras para lojas alternativas e pagamentos externos.
  • Cade – Acordo firmado com a Apple sobre concorrência no ecossistema iOS.
  • 9to5Mac – Reação da Epic Games e da Coalition for App Fairness.
  • Reuters – Histórico da disputa entre Epic Games e Apple.
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