Os futuros processadores AMD Zen 6 poderão receber novos mecanismos para reduzir microtravamentos e melhorar a estabilidade da taxa de quadros nos jogos. As mudanças estariam concentradas no gerenciamento individual dos núcleos, permitindo que o processador dê prioridade às tarefas executadas em primeiro plano.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo VideoCardz e repercutidas pelo Tom’s Hardware. A AMD ainda não apresentou oficialmente todos os recursos citados, portanto os detalhes podem mudar ou aparecer apenas em determinados modelos da próxima geração.
Em vez de buscar somente mais quadros por segundo, os mecanismos teriam como objetivo manter a experiência consistente. Isso pode beneficiar os chamados 1% mínimos, medida que representa os momentos de menor desempenho durante uma partida.
Prioridade para o jogo em primeiro plano
Um dos recursos mencionados é uma evolução do Collaborative Processor Performance Control, conhecido como CPPC. Essa tecnologia permite que o processador e o sistema operacional controlem o desempenho de cada núcleo separadamente.
Com a possível atualização, o Windows teria informações mais precisas sobre quais núcleos conseguem alcançar as maiores frequências. Assim, a principal tarefa do jogo poderia ser direcionada aos núcleos mais rápidos, enquanto aplicativos secundários seriam transferidos para áreas menos prioritárias do processador.
Na prática, programas como Discord, navegadores, serviços de atualização e aplicativos de música poderiam receber menos recursos quando o processador estivesse próximo de seu limite térmico ou energético.
O objetivo seria preservar o desempenho da partida sem precisar manter todos os núcleos trabalhando na frequência máxima.
FloorPerf pode reduzir quedas repentinas
Outro mecanismo citado é chamado de FloorPerf. Ele definiria uma frequência mínima diferente para cada núcleo, considerando a importância da tarefa executada.
Em uma situação de alta temperatura, o processador normalmente precisa reduzir suas frequências para permanecer dentro dos limites de segurança. O problema é que essa redução pode afetar o jogo e os programas em segundo plano ao mesmo tempo.
Com o FloorPerf, os núcleos responsáveis por tarefas secundárias poderiam perder desempenho primeiro. Os núcleos que executam o jogo manteriam frequências mais altas pelo maior tempo possível.
Esse comportamento poderia diminuir pequenas interrupções provocadas por mudanças bruscas de frequência. Ainda assim, a eficácia real dependerá da implementação no processador, do sistema operacional e do próprio jogo.
AMD também trabalha em ajustes de EPP
A documentação preliminar menciona ainda um mecanismo de aumento temporário por núcleo relacionado ao Energy Performance Preference, ou EPP.
O EPP ajuda o sistema a escolher entre economia de energia e desempenho. Em algumas situações, a CPU pode reduzir sua frequência enquanto espera que a placa de vídeo termine um quadro. Quando uma nova tarefa chega, o núcleo precisa acelerar novamente, criando uma pequena variação no tempo de resposta.
Uma proposta semelhante apareceu recentemente em alterações do driver AMD P-State para Linux. Os responsáveis pelos testes relataram melhoria expressiva nos 1% mínimos em um Steam Deck, embora esse resultado não possa ser aplicado diretamente aos futuros processadores Zen 6 ou ao Windows.
O exemplo mostra, porém, que ajustes no gerenciamento de energia podem melhorar a estabilidade sem necessariamente aumentar muito a média de quadros por segundo.
O que são os 1% mínimos
A média de FPS continua sendo uma referência importante, mas não mostra sozinha se uma partida foi fluida.
Um computador pode apresentar média de 120 FPS e, ainda assim, registrar quedas rápidas para valores muito menores. Essas oscilações são percebidas como engasgos ou microtravamentos.
Os 1% mínimos representam o desempenho registrado durante a parcela mais lenta da execução. Quanto mais próximos estiverem da média, mais consistente tende a ser a experiência.
Jogos competitivos, simuladores e produções com mapas extensos podem ser especialmente sensíveis a essas variações. Processamento de física, carregamento de elementos, inteligência artificial e programas em segundo plano podem disputar recursos da CPU.
Benefício ainda precisa ser comprovado
As mudanças descritas parecem promissoras, mas não garantem automaticamente uma melhora perceptível em todos os jogos.
Microtravamentos podem ser causados por compilação de shaders, falta de memória, problemas de armazenamento, drivers, conexão ou falhas de otimização. Um processador mais eficiente não consegue resolver sozinho todas essas situações.
Também será necessário verificar como o Windows identificará os núcleos mais rápidos e como os jogos responderão às novas prioridades.
A AMD confirma que trabalha continuamente na eficiência e no gerenciamento de energia de suas arquiteturas Zen, mas ainda não publicou uma apresentação completa dessas funções específicas para os processadores destinados aos consumidores.
Até a realização de testes independentes, a possível melhoria nos 1% mínimos deve ser considerada uma expectativa, e não um desempenho confirmado.
Caso os recursos cheguem aos modelos comerciais e funcionem como descrito, a geração Zen 6 poderá oferecer uma experiência mais estável mesmo quando o computador estiver executando várias tarefas ao mesmo tempo.
Fontes:
- Tom’s Hardware – Informações preliminares sobre gerenciamento por núcleo, FloorPerf, CPPC e possíveis melhorias nos 1% mínimos.
- Phoronix – Testes de alterações no AMD P-State com EPP por núcleo e impacto nos 1% mínimos no Linux.
- AMD – Página oficial sobre a evolução e a eficiência das arquiteturas Zen.
- ComputerBase – Registros relacionados aos núcleos de baixo consumo planejados para a geração Zen 6.

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