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Alta de memória e GPUs pressiona mercado de PCs gamer em 2026

Demanda de data centers de inteligência artificial está reduzindo a oferta de componentes para consumidores. RAM, SSDs e placas de vídeo já registram aumentos expressivos, enquanto fabricantes de monitores também começam a alertar para novo

Alta de memória e GPUs pressiona mercado de PCs gamer em 2026

Montar ou atualizar um PC gamer ficou mais caro em 2026, e o problema já não está concentrado apenas nas placas de vídeo.

A combinação entre demanda crescente de data centers de inteligência artificial, capacidade de produção limitada e valorização das memórias está pressionando praticamente toda a cadeia de hardware. RAM, SSDs, GPUs e até monitores começaram a registrar aumentos ou alertas de reajustes.

Na Alemanha, por exemplo, os gastos com hardware gamer caíram 8% no primeiro semestre de 2026, para cerca de 1,3 bilhão de euros. A associação alemã da indústria de games relaciona parte dessa retração à escassez de chips e ao aumento expressivo dos preços da memória.

O cenário ganhou até um apelido entre representantes do setor: “RAMageddon”.

RAM virou o centro da crise

A memória é atualmente um dos componentes mais afetados.

Dados acompanhados pelo Tom’s Hardware mostram que alguns kits DDR5 chegaram a subir centenas de por cento em um intervalo de aproximadamente um ano. Um conjunto de 128 GB DDR5-6400, por exemplo, apareceu recentemente por US$ 3.399, cerca de dez vezes acima de mínimas registradas anteriormente.

O problema também atinge configurações mais comuns.

Kits de 32 GB, que durante anos foram vistos como uma opção relativamente acessível para computadores gamer, passaram a ocupar faixas de preço muito superiores. Até memórias DDR4 começaram a subir, em parte porque consumidores estão voltando a plataformas antigas para fugir do custo da DDR5.

A TrendForce já havia alertado que os preços contratuais da DRAM convencional poderiam subir entre 13% e 18% apenas no terceiro trimestre de 2026. A empresa também prevê alta de 10% a 15% nos contratos de NAND Flash, tecnologia utilizada em SSDs.

Inteligência artificial disputa a mesma capacidade de produção

O principal fator por trás da pressão é a expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial.

Grandes data centers precisam de quantidades enormes de memória, armazenamento e componentes avançados. Fabricantes conseguem margens maiores vendendo produtos para servidores e aceleradores de IA, especialmente memórias de alta largura de banda.

Isso reduz a capacidade disponível para segmentos de consumo.

A Gartner estima que a combinação dos preços de DRAM e SSD poderá subir cerca de 130% até o final de 2026 em comparação com o ano anterior. Segundo a consultoria, essa pressão pode aumentar o preço médio dos PCs em aproximadamente 17%.

A consequência é um ciclo simples: fabricantes pagam mais pelos componentes, computadores prontos ficam mais caros e consumidores passam mais tempo utilizando as máquinas que já possuem.

Placas de vídeo também estão subindo

O mercado de GPUs voltou a apresentar um cenário semelhante ao observado em momentos anteriores de escassez.

Levantamentos recentes mostram que várias placas da série GeForce RTX 50 estão muito acima dos valores sugeridos originalmente pela NVIDIA.

A RTX 5090, por exemplo, já aparece em determinados varejistas por valores próximos de US$ 4.400, mais de 80% acima do preço inicial de US$ 1.999. RTX 5070, RTX 5070 Ti e RTX 5060 Ti também registraram aumentos relevantes durante os últimos meses.

O impacto é maior nas placas com mais memória de vídeo.

A PC Gamer registrou a RTX 5070, originalmente lançada por US$ 549, sendo encontrada por cerca de US$ 755 em determinadas ofertas, representando alta próxima de 37%.

A NVIDIA já havia alertado anteriormente que as limitações de fornecimento no segmento gamer poderiam continuar até o final de 2026.

Não é apenas NVIDIA

Embora as placas GeForce apareçam entre os exemplos mais extremos, a pressão sobre memória gráfica pode atingir toda a indústria.

A PC Partner Group, empresa ligada a marcas como Zotac, Inno3D e Manli, indicou que o aumento do custo das memórias deve continuar elevando o preço médio das placas de vídeo durante o segundo semestre.

Produtos mais baratos podem sofrer proporcionalmente ainda mais.

Isso acontece porque componentes como memória e PCB representam uma parcela maior do custo total de uma placa intermediária ou de entrada. Quando esses itens ficam mais caros, existe menos margem para absorver o aumento sem repassá-lo ao consumidor.

Até agora, algumas Radeon RDNA 4 permanecem relativamente mais próximas de seus valores esperados, mas não existe garantia de que consigam escapar da pressão caso os custos de memória continuem subindo.

SSDs também entram na conta

A crise não termina na memória RAM.

SSDs utilizam NAND Flash, outro tipo de memória cujo preço vem subindo devido à demanda de data centers.

A TrendForce prevê alta de 10% a 15% nos preços contratuais de NAND durante o terceiro trimestre, mesmo após fortes aumentos registrados anteriormente.

Isso pode afetar tanto unidades NVMe compradas separadamente quanto notebooks, consoles, PCs montados e outros aparelhos que utilizam armazenamento em estado sólido.

O impacto aparece justamente em um momento em que jogos modernos exigem cada vez mais espaço.

Instalações acima de 100 GB deixaram de ser raridade, fazendo com que unidades de 1 TB sejam consideradas praticamente o mínimo confortável para muitos jogadores.

Monitores podem ser os próximos

A alta começa a alcançar componentes que normalmente não aparecem diretamente na discussão sobre memória.

Fabricantes de monitores também vêm alertando sobre aumento de custos de produção.

Empresas como KTC e AOC sinalizaram possíveis reajustes, segundo informações compiladas pelo TechRadar. A KTC chegou a recomendar que consumidores considerassem antecipar compras diante da expectativa de preços maiores.

Displays dependem de controladores, memória, chips de processamento e uma cadeia de semicondutores que também enfrenta competição por capacidade produtiva.

Isso significa que o problema pode atingir monitores gamer de alta frequência, OLEDs e modelos voltados ao mercado competitivo.

PC pronto também ficará mais caro

Mesmo quem não monta seu próprio computador pode sentir o efeito.

A Gartner prevê uma redução de aproximadamente 10,4% nas vendas globais de PCs em 2026. A consultoria atribui boa parte dessa queda justamente ao aumento do preço dos componentes e à mudança no comportamento dos consumidores.

Computadores de entrada são particularmente vulneráveis.

Quando memória, SSD e processador aumentam simultaneamente, fabricantes têm dificuldade para manter modelos baratos sem reduzir especificações.

Isso pode provocar uma situação curiosa: máquinas consideradas básicas começam a desaparecer ou passam a utilizar quantidades menores de memória e armazenamento para preservar determinado preço.

Vale a pena comprar agora?

Não existe uma resposta universal.

Comprar apenas porque existe medo de novos aumentos pode resultar em escolhas ruins.

Por outro lado, quem já precisa de um computador ou upgrade pode encontrar menos vantagem em esperar uma queda rápida, porque os principais analistas ainda enxergam desequilíbrio entre oferta e demanda durante o restante de 2026.

Para quem pretende montar um PC gamer, vale priorizar os componentes que realmente apresentam boa relação entre preço e desempenho.

Também pode fazer sentido comparar:

  • DDR4 com DDR5;
  • Radeon com GeForce;
  • PC montado com peças separadas;
  • SSDs de gerações anteriores;
  • produtos usados em boas condições.

Em algumas faixas, computadores prontos podem começar a se aproximar do preço de uma montagem individual porque fabricantes maiores compram componentes através de contratos de longo prazo.

O impacto para o jogador

Durante anos, o mercado de hardware seguiu uma lógica relativamente previsível: componentes antigos ficavam mais baratos conforme novas gerações chegavam.

Em 2026, essa lógica está temporariamente quebrada.

Placas lançadas há mais de um ano continuam caras, memória voltou a preços vistos há muitos anos e o crescimento da IA passou a competir diretamente com consumidores por capacidade industrial.

Isso não significa que o PC gamer esteja desaparecendo.

Mas significa que montar uma máquina de alto desempenho exige mais pesquisa e planejamento do que há poucos anos.

A crise atual também mostra como o mercado gamer está conectado ao restante da indústria de tecnologia. Uma decisão de investimento em data centers pode acabar influenciando diretamente quanto um jogador paga por RAM, SSD, placa de vídeo ou até monitor.

Enquanto a oferta de memória não acompanhar a demanda, o cenário deve continuar pressionado.

Para quem planeja um upgrade, a melhor estratégia talvez não seja perseguir sempre o hardware mais novo, mas buscar o melhor equilíbrio entre desempenho, necessidade real e preço disponível no momento.

Fontes:

  • Welt / dpa – Dados sobre a queda dos gastos com hardware gamer na Alemanha e impacto da escassez de chips.
  • Gartner – Projeções de aumento de preços de DRAM, SSDs e PCs durante 2026.
  • TrendForce – Previsões para os preços de DRAM e NAND Flash no terceiro trimestre de 2026.
  • Tom’s Hardware – Levantamento sobre a alta histórica nos preços da memória RAM.
  • PC Gamer – Monitoramento dos preços das GPUs e aumento das GeForce RTX 50.
  • TechRadar – Relatos de fabricantes sobre aumento de preços de GPUs e monitores gamer.
  • Reuters – Declaração da NVIDIA sobre limitações de fornecimento de chips gamer durante 2026.
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